Ia sê só chegar lá e pegar a grana.
Ia sê chegar, falar, pegar a grana e sair.
Ia sê a maior comemoração já vista.
Ia sê tudo isso!
Eu ia sê foda!
Ia estudar muito.
Eu ia sê o mais inteligente da turma.
Ia sê foda!
Ia sê fácil se os ladrões fossem pegos.
Ia sê se eles não mandassem.
Ia sê muito fácil na real se eles não fossem os donos daqui.
Ia sê fácil se eu também falasse com o presidente!
Ia sê fácil o jogo, estava quase ganho.
Ia sê campeão.
Ia sê o artilheiro.
Ia sê o goleiro menos vazado.
Ia sê magrinha.
Ia sê loirinha.
Ia sê desse tamanho.
Ia sê linda!
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
Três lançamentos
Outubro e novembro de 2009 ficaram marcados pelos lançamentos de O Seminarista de Rubem Fonseca, Violetas e Pavões de Dalton Trevisan, O Albatroz Azul de João Ubaldo Ribeiro.
Nos dois primeiros casos houve resenhas negativas injustamente. Não li crítica falando mal de João Ubaldo com seu novo livro. Li os três e todos são bons livros. Vamos de um em um...
O Seminarista é um livro muito bom de ser lido. Linguagem fácil de assimilar, texto curto, rápido, violento. Não há muito sexo e palavrão. E não há digressões como em A Grande Arte, que Mandrake lê o diário e conta-nos tudo; o caso da faca no mesmo livro. E tantos outros.
Por um resenhista O Seminarista fica mais próximo de Mandrake: a Bíblia e a Bengala. E o mesmo coloca o lançamento como inferior aos outros romances do autor. Daqui a alguns anos os críticos dirão que Mandrake foi um romance que iniciou a escola dos romances breves.
Violetas e Pavões de Dalton Trevisan é um belo livro de contos. São contos breves, curtos. A linguagem característica de Trevisan está presente de forma clara, ojetiva. Não há rodeios para narrar. Comentando com um amigo falei assi
m sobre este autor: me parece que ele nos conta por cima, só contando mesmo algumas coisas sobre o assunto.
Os resenhistas falaram que este livro "não é tão bom" como outros. Todos falam que Dalton escreve sobre as pessoas que não são vistas nas cidades. Certo, ele trata de maníacos, estupradores, pedófilos, ladrões, traficantes. Só que também fala da classe média no meio das drogas, do tráfico. E sobre isso ninguém falou ainda.
O que eles gostam é de falar que seus livros não são tão bons quanto "O Vampiro de Curitiba" Nos dois últimos tem contos que em forma física parecem versos, mas não são. São contados por catadores de papel, gente muito humilde. Minha primeira ideia é de que essas pessoas não formam frases com períodos e orações. Queria que o Dalton gravasse um conto desses para ter uma ideia de como ele chegou a esta forma.
Já O Albatroz Azul não chegou às lojas com críticas desconstrutivas. É um belo livro. No princ
ípio foi me parecendo um pouco Saramago.
João Ubaldo tem isso de cada livro ser um livro. Ainda não li dois parecidos. É um mestre da palavra também. Muito boa leitura!
Nós, brasileiros, temos um time e tanto em nossa literatura. Vamos fazer uma convocação? O meio campo eu já escolhi. Quem é o técnico?
Nos dois primeiros casos houve resenhas negativas injustamente. Não li crítica falando mal de João Ubaldo com seu novo livro. Li os três e todos são bons livros. Vamos de um em um...

O Seminarista é um livro muito bom de ser lido. Linguagem fácil de assimilar, texto curto, rápido, violento. Não há muito sexo e palavrão. E não há digressões como em A Grande Arte, que Mandrake lê o diário e conta-nos tudo; o caso da faca no mesmo livro. E tantos outros.
Por um resenhista O Seminarista fica mais próximo de Mandrake: a Bíblia e a Bengala. E o mesmo coloca o lançamento como inferior aos outros romances do autor. Daqui a alguns anos os críticos dirão que Mandrake foi um romance que iniciou a escola dos romances breves.
Violetas e Pavões de Dalton Trevisan é um belo livro de contos. São contos breves, curtos. A linguagem característica de Trevisan está presente de forma clara, ojetiva. Não há rodeios para narrar. Comentando com um amigo falei assi
Os resenhistas falaram que este livro "não é tão bom" como outros. Todos falam que Dalton escreve sobre as pessoas que não são vistas nas cidades. Certo, ele trata de maníacos, estupradores, pedófilos, ladrões, traficantes. Só que também fala da classe média no meio das drogas, do tráfico. E sobre isso ninguém falou ainda.
O que eles gostam é de falar que seus livros não são tão bons quanto "O Vampiro de Curitiba" Nos dois últimos tem contos que em forma física parecem versos, mas não são. São contados por catadores de papel, gente muito humilde. Minha primeira ideia é de que essas pessoas não formam frases com períodos e orações. Queria que o Dalton gravasse um conto desses para ter uma ideia de como ele chegou a esta forma.
Já O Albatroz Azul não chegou às lojas com críticas desconstrutivas. É um belo livro. No princ
ípio foi me parecendo um pouco Saramago.João Ubaldo tem isso de cada livro ser um livro. Ainda não li dois parecidos. É um mestre da palavra também. Muito boa leitura!
Nós, brasileiros, temos um time e tanto em nossa literatura. Vamos fazer uma convocação? O meio campo eu já escolhi. Quem é o técnico?
sábado, 21 de novembro de 2009
Vai da "coinsciência" negra
Dei uma sorte grande e um puta azar nesta vida.
Moro no Alphaville de Minas Gerais, região metropolitana de Belo Horizonte. Esta é a sorte.
Desde que mudamos para lá ouço dos funcionário: você é morador? Perguntei a vários amigos residentes se já haviam sofrio tal abordagem. Todos não foram abordados. Todos!
Enquanto a casa ainda não estava pronta e eu ia acompanhar a obra era questionado quanto a ser pedreiro, jardineiro, cuidador de cachorro (já que andava com o meu pelo condomínio), já me pediram carteira de identidade junto a carteirinha para andar no ônibus do condomínio. Nunca pediram carteira para alguém na minha frente, e eu ano no ônibus todos os dias!
Na absoluta maioria das vezes fui questionado por funcionários. Só uma vez foi um morador.
E pelo que observo, deve ser mais ou menos 5% de pele clara. Grande maioria negra. E é aqui que quero chegar.
Semana passada tive um insidente deste porte com um segurança. Me abordou e não abordou umas pessoas que pararam o carro em local proibido. E logo em seguida fui mais uma vez abordado. Duas vezes em menos de trinta minutos. As duas vezes foram por negros.
São os negros os grandes racistas! São eles que fazem piada do tipo: o que tá falando, você é preto!
Então, para os que comemoram e comemoraram o 20 de novembro ontem está a minha colaboração como descendente de negros. Canso de ser discriminado por negros.
Será que não posso ter uma situação financeira digna de quem trabalhou duro? Será que isso marcará sempre a minha passagem por locais brancos, enquanto os negros trabalharem por lá?
Bonito mesmo é ser negro e esbanjar colar com um $ dourado do tamanho do peito! Ostentar o que não tem que é bonito!
Como me sinto?
Moro no Alphaville de Minas Gerais, região metropolitana de Belo Horizonte. Esta é a sorte.
Desde que mudamos para lá ouço dos funcionário: você é morador? Perguntei a vários amigos residentes se já haviam sofrio tal abordagem. Todos não foram abordados. Todos!
Enquanto a casa ainda não estava pronta e eu ia acompanhar a obra era questionado quanto a ser pedreiro, jardineiro, cuidador de cachorro (já que andava com o meu pelo condomínio), já me pediram carteira de identidade junto a carteirinha para andar no ônibus do condomínio. Nunca pediram carteira para alguém na minha frente, e eu ano no ônibus todos os dias!
Na absoluta maioria das vezes fui questionado por funcionários. Só uma vez foi um morador.
E pelo que observo, deve ser mais ou menos 5% de pele clara. Grande maioria negra. E é aqui que quero chegar.
Semana passada tive um insidente deste porte com um segurança. Me abordou e não abordou umas pessoas que pararam o carro em local proibido. E logo em seguida fui mais uma vez abordado. Duas vezes em menos de trinta minutos. As duas vezes foram por negros.
São os negros os grandes racistas! São eles que fazem piada do tipo: o que tá falando, você é preto!
Então, para os que comemoram e comemoraram o 20 de novembro ontem está a minha colaboração como descendente de negros. Canso de ser discriminado por negros.
Será que não posso ter uma situação financeira digna de quem trabalhou duro? Será que isso marcará sempre a minha passagem por locais brancos, enquanto os negros trabalharem por lá?
Bonito mesmo é ser negro e esbanjar colar com um $ dourado do tamanho do peito! Ostentar o que não tem que é bonito!
Como me sinto?
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Pais e filhos (e putas)
"Ô pai, puta reza?"
"Ué filho, não sei. Por quê?"
"Tava pensando..."
"Em quê?"
"Eu sempre vejo as putas nas ruas e não são como aquelas da tevê."
"E o que isso tem a ver?"
"Na tevê elas são gostosas, têm cara sexy."
"E nas ruas não?"
"Não! Na rua elas têm cara de sofrimento, dúvida, são feias, gordas."
"E na tevê não?"
"Não. Nunca viu na tevê?"
"Pô filho... não vejo isso na tevê."
"Mas nunca viu?"
"Tá bom... já."
"Então! Na rua nós vemos putas rindo, comendo, arrumando clientes. Então pensei se puta reza."
"De onde essa curiosidade?"
"Já falei, pai. Acho que vou seguir uma pra ver se ela vai à igreja."
"E se descobrir que vai?"
"Não sei. Deve ser estranho."
"Por que estranho? Elas têm o direito de rezar e ter fé também. Como todos trabalhadores."
"Mas puta é trabalhadora?"
"Filho, claro que é."
"E porque não tem carteira assinada?"
"Política."
"Imagina, pai, que legal se puta desse recibo..."
"Ué filho, não sei. Por quê?"
"Tava pensando..."
"Em quê?"
"Eu sempre vejo as putas nas ruas e não são como aquelas da tevê."
"E o que isso tem a ver?"
"Na tevê elas são gostosas, têm cara sexy."
"E nas ruas não?"
"Não! Na rua elas têm cara de sofrimento, dúvida, são feias, gordas."
"E na tevê não?"
"Não. Nunca viu na tevê?"
"Pô filho... não vejo isso na tevê."
"Mas nunca viu?"
"Tá bom... já."
"Então! Na rua nós vemos putas rindo, comendo, arrumando clientes. Então pensei se puta reza."
"De onde essa curiosidade?"
"Já falei, pai. Acho que vou seguir uma pra ver se ela vai à igreja."
"E se descobrir que vai?"
"Não sei. Deve ser estranho."
"Por que estranho? Elas têm o direito de rezar e ter fé também. Como todos trabalhadores."
"Mas puta é trabalhadora?"
"Filho, claro que é."
"E porque não tem carteira assinada?"
"Política."
"Imagina, pai, que legal se puta desse recibo..."
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conversa fiada
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Rio de Janeiro
Depois de 11 anos voltei ao Rio.
Estava mesmo com muita vontade de ir ao Rio e conhecer algumas ruas que não ia quando mais novo. Minhas idas eram para um condomínio na Barra, praia, shopping, algum show. Mais nada. Isso era muito bom na época. Só que minha vontade mudou.
Passei que querer conhecer o Rio de outra forma. Queria conhecer a Lapa, o centro, a Biblioteca Nacional, Maracanã, e mais.
Fiquei hospedado em Copacabana, uma quadra da praia. Prato cheio. Logo que chegamos fui nadar, estava muito calor e eu adoro nadar no mar. A praia estava lotada, muita gente para uma sexta a tarde; na minha opinião. Logo que fui aproximando para meu primeiro mergulho fiquei reparando nas pessoas, na praia, na beleza. E vi um bandeide na água, bem ali na marola.
Mergulhei assim mesmo e depois de um tempo na água voltei para o quiosque. Ficamos ali admirando e conversando sobre o Rio. Depois de tantos anos...

Encontrei um amigo de Foz que mora no Rio e fomos para a Lapa à noite. Bem, pelo tanto que falam pensei que era um lugar diferente. Pensei que estavam filmando Ensaio sobre a Cegueira por lá, naquele momento. Muito sujo, cheiro forte. Não vi nada do que dizem. Gostei de lá, mas não vi o que tanto falam. Umas ruas cheias, com muita gente, em cada bar uma música alta. Me lembrei de Ciudad del Est, o Paraguai.
Pois bem, depois fui a Ipanema curtir uma praia. Linda!
Domingo fui fazer uma prova ao lado do Maracanã. Terminei a prova e fui com a torcida tricolor para o estádio. O Maraca é maravilhoso! A torcida tricolor deu um show!
Na segunda fiz o que eu mais queria, ir ao centro da cidade. Primeiro lugar foi a Biblioteca Nacional. Linda! Uma pena que não se pode andar por entre as estantes. Tudo bem, fiquei lá um tempinho e fui embora. Encontrei meu amigo e fomos andar pelo centro. A curiosidade pelo centro veio de tanto ler Rubem Fonseca. E eu estava certo de que encontraria com ele em algum lugar na cidade.

Andei por várias ruas e avenidas no centro. Muito calor, muita gente. Passei por monumentos que conhecia das leituras, praças, ruas, até alguns fodidos parecia que eu conhecia. Passei pelo Real Gabinete Português de Leitura, tirei umas fotos e continuei andando.
Depois de andar por um bom tempo e almoçar na Lapa - um arroz com brócolis delicioso - resolvi esperar mais algum tempo e ir embora. À noite estava reservada para uma palestra com João Ubaldo.
Fui ao Leblon acreditando que veria pela rua o Rubem Fonseca. Fui a praça Antero de Quental e nada. Olhei um pouco e fui embora. Claro que se o visse não ia querer foto e tal, e na verdade nem sei se ia falar alguma coisa com ele. Pois bem, caminhei rumo ao Shopping Leblon para a palestra.

Gosto de ler os livros do João Ubaldo. Fiquei até o fim, ele assinou meu O Albatroz Azul e fui embora. Fui com O Seminarista na sacola. Andei do Leblon para Copa pela praia, curtindo a brisa e me despedindo por algum tempo do Rio.
Em janeiro estarei lá. E espero que possa morar no Rio.
______
A crônica de segunda desta vez foi escrita na quarta, mas pensada na segunda mesmo...
Estava mesmo com muita vontade de ir ao Rio e conhecer algumas ruas que não ia quando mais novo. Minhas idas eram para um condomínio na Barra, praia, shopping, algum show. Mais nada. Isso era muito bom na época. Só que minha vontade mudou.
Passei que querer conhecer o Rio de outra forma. Queria conhecer a Lapa, o centro, a Biblioteca Nacional, Maracanã, e mais.
Fiquei hospedado em Copacabana, uma quadra da praia. Prato cheio. Logo que chegamos fui nadar, estava muito calor e eu adoro nadar no mar. A praia estava lotada, muita gente para uma sexta a tarde; na minha opinião. Logo que fui aproximando para meu primeiro mergulho fiquei reparando nas pessoas, na praia, na beleza. E vi um bandeide na água, bem ali na marola.
Mergulhei assim mesmo e depois de um tempo na água voltei para o quiosque. Ficamos ali admirando e conversando sobre o Rio. Depois de tantos anos...
Encontrei um amigo de Foz que mora no Rio e fomos para a Lapa à noite. Bem, pelo tanto que falam pensei que era um lugar diferente. Pensei que estavam filmando Ensaio sobre a Cegueira por lá, naquele momento. Muito sujo, cheiro forte. Não vi nada do que dizem. Gostei de lá, mas não vi o que tanto falam. Umas ruas cheias, com muita gente, em cada bar uma música alta. Me lembrei de Ciudad del Est, o Paraguai.
Pois bem, depois fui a Ipanema curtir uma praia. Linda!
Domingo fui fazer uma prova ao lado do Maracanã. Terminei a prova e fui com a torcida tricolor para o estádio. O Maraca é maravilhoso! A torcida tricolor deu um show!
Na segunda fiz o que eu mais queria, ir ao centro da cidade. Primeiro lugar foi a Biblioteca Nacional. Linda! Uma pena que não se pode andar por entre as estantes. Tudo bem, fiquei lá um tempinho e fui embora. Encontrei meu amigo e fomos andar pelo centro. A curiosidade pelo centro veio de tanto ler Rubem Fonseca. E eu estava certo de que encontraria com ele em algum lugar na cidade.
Andei por várias ruas e avenidas no centro. Muito calor, muita gente. Passei por monumentos que conhecia das leituras, praças, ruas, até alguns fodidos parecia que eu conhecia. Passei pelo Real Gabinete Português de Leitura, tirei umas fotos e continuei andando.
Depois de andar por um bom tempo e almoçar na Lapa - um arroz com brócolis delicioso - resolvi esperar mais algum tempo e ir embora. À noite estava reservada para uma palestra com João Ubaldo.
Fui ao Leblon acreditando que veria pela rua o Rubem Fonseca. Fui a praça Antero de Quental e nada. Olhei um pouco e fui embora. Claro que se o visse não ia querer foto e tal, e na verdade nem sei se ia falar alguma coisa com ele. Pois bem, caminhei rumo ao Shopping Leblon para a palestra.
Gosto de ler os livros do João Ubaldo. Fiquei até o fim, ele assinou meu O Albatroz Azul e fui embora. Fui com O Seminarista na sacola. Andei do Leblon para Copa pela praia, curtindo a brisa e me despedindo por algum tempo do Rio.
Em janeiro estarei lá. E espero que possa morar no Rio.
______
A crônica de segunda desta vez foi escrita na quarta, mas pensada na segunda mesmo...
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